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11 DIAS QUE ABALARAM O RIO

Atualizado: Fev 11

Texto: João Raphael Alves

foto: Francisco Proner (10 Dias que Abalaram o Mundo)


"Eu Diria Que o Público Faz o Teatro Conosco" - Ariane Mnouchkine


10 DIAS QUE ABALARAM O MUNDO quase foi cancelado por falta de recursos. A realização da curta temporada de 3 semanas deveu-se , sobretudo, ao comprometimento do público em entender, apoiar e abraçar a realização do espetáculo antes mesmo dos ensaios começarem. Estreamos com 8 dos 11 espetáculos lotados. Hoje, pouco mais de um mês após o encerramento da primeira temporada, temos a real dimensão do tamanho da nossa empreitada e da importância da cumplicidade do público na realização dessa grande aventura . Por isso, queremos agradecer.


Agradecer aos professores, por nós carinhosamente chamados de carpinteiros, que trabalharam pela vinda de 2900 alunos de 50 instituições de ensino – muitos deles vindos pela primeira vez ao teatro. Esses carpinteiros talham os novos assentos do nosso teatro.


Agradecer à militância e ao movimento social que compareceram em peso através de sindicatos, movimentos estudantis, militância latino-americana, camaradas e companheiros que revelavam sua veia vermelha através de camisas, bonés, vibrando a cada vitória do proletariado russo e cantando conosco, a cada função, em um coro inesquecível, A Internacional na última cena do espetáculo.


Agradecer a cada espectador que adquiriu 1 dos quase 6 mil ingressos antecipados antes da estreia (através das promoções, lista de amigos, rede pública e privada de ensino, projetos sociais, faculdades, vakinha e sindicatos). Começamos a vender ingressos com 6 meses de antecedência num trabalho pioneiro que avançará em 2018 com o Ano Marx. Esses milhares de companheiros e companheiras nos impediram de cancelar a temporada.


Vivemos em um período de Golpe de Estado, onde os trabalhadores da cultura tem que reinventar formas de produção e captação. Esse desafio torna-se maior aos que, como nós, desejam falar de Revolução. Nesse contexto, destacamos o papel de vanguarda desempenhado pelo apoio de dezenas de sindicatos que retomaram uma tradição iniciada pelos trabalhadores nas primeiras experiências de teatro político, ainda no século XIX, e que no Brasil foram interrompidas pela ditadura militar após os trabalhos pioneiros do CPC da UNE e do Teatro de Arena. Esse princípio de que a cultura de esquerda deve ser financiada pela esquerda criou ramificações também junto a muitos parlamentares da bancada de esquerda que como nós, entendem que a arte não deve recuar diante da realidade.


John Reed disse que a Revolução Russa foi uma das maiores aventuras que a humanidade já embarcou. Os artistas envolvidos na realização desse trabalho têm o mesmo sentimento em relação a Revolução que mudou o mundo. John Reed afirmou, em 1917, que “as massas que não tinham intenção de abandonar o palco”. Cada 1 dos 10.000 espectadores de 2017 fez parte muito bem desta massa. Isso alimenta uma luta que, sabemos, não é somente nossa. Nós podemos dizer que o nosso público faz o teatro conosco.


Já estamos trabalhando o retorno do espetáculo 10 DIAS QUE ABALARAM O MUNDO para renovar velhos laços e estreitar os novos. Em breve lançaremos, 2018 - o Ano Marx. Obrigado por compartilharem a Utopia.

Até breve.

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